segunda-feira, 10 de junho de 2013

O Cinema Puro - Primeira Parte

--> O cinema é uma grande união das artes e isso, é claro, não é nenhuma novidade. Desde o seu surgimento, ele vem sendo transformado e incrementado na sua capacidade de envolvimento do público que, além de querer ver um filme que conte uma boa história, quer ser levado a imagens e sons que os transportem para outras realidades ou fantasias. Na época do cinema mudo, os cineastas estavam testando as possibilidades da imagem, ousando na arte de preencher a tela, o cinema alemão, por exemplo, no chamado expressionismo alemão experimentava muito nas formas de cenários, maquiagem de atores, na fotografia que ousava no uso das sombras e quadros como Fritz Lang ( Metrópolis/ Dr. Mabuse) e F.W. Murnau ( M, o Vampiro de Dusserdorf) e no cinema russo com o uso da montagem ousada e rápida, destacam-se Pudovkin, Einsenstein, Kuleshov entre outros desta grande escola.
O GABINETE DO DR.CALIGARI,  DIR. ROBERT WEINE
  
George Meliés, um ilusionista que estava na primeira projeção dos irmãos Lumiere, se maravilhou com as possibilidades do cinematógrafo, e ao contrário deles, viu uma grande possibilidade de uso desta curiosidade. Ele construiu para si um destes equipamentos e começou a fazer imagens por conta própria. Um certo dia, em um dos seus primeiros testes, a câmera travou enquanto Meliés filmava uma rua movimentada, quando conseguiu resolver o problema ele voltou a rodar, quando revelou o filme notou que um dos carros havia "sumido” na cena, nascia ali o primeiro efeito especial. A partir deste momento Meliés passou a usar o cinema para criar as suas novas ilusões e realizou centenas de filmes curtos que deixaram o mundo fascinado com o poder do cinema.

Alfred Hitchcock
Um dos grandes expoentes e defensores da criação imagética no cinema foi Alfred Hitchcock, Hitch quando jovem logo reconheceu o poder do cinema que busca contar a sua história por imagens, por movimentos de câmera elaborados, por quadros milimetricamente pensados e por uma montagem bem empregada. Foi na Alemanha que o jovem cineasta constatou o cuidado com o quadro filmado e ficou maravilhado em ver que cenários de prédios e quadras imponentes inteiras eram criadas em estúdio para a melhor colocação da câmera e comodidade para as filmagens. Começando ainda no cinema mudo, Hitchcock soube explorar como poucos as possibilidades da câmera e atravessou com maestria a mudança do cinema mudo para o falado. Durante toda a sua carreira ele sempre sentiu que o cinema poderia ter chegado a maiores alturas se houvesse uma maior compreensão do uso do som junto a imagem, e principalmente, do uso do quadro cinematográfico e sua função em ajudar a contar uma história . Passou a lamentar um segmento na feitura de filmes, que como dizia, eram “teatro filmado” e sem nenhuma preocupação estética ou cinematográfica. Este seu sentimento perdurou até o fim da sua carreira, porque os filmes de “talking heads” seguem existindo até hoje, mas Hitch sempre fez a sua parte e inovou a linguagem cinematográfica abraçando cada nova descoberta tecnológica. Nem dá para imaginar o que ele faria com os recursos técnicos de hoje, onde cada vez mais o digital está presente em cada produção, certamente ele estaria ousando com filmes e cenas de tirar o fôlego do espectador.

Aos poucos iremos explorar as novas facetas da criação dos filmes, estudar alguns de seus grandes realizadores e buscar explanar de forma clara e objetiva os seus filmes e estilos. Espero que este texto seja de proveito de estudantes de cinema, cinéfilos e entusiastas em geral. Obrigado pela compania, em breve volto com mais!

Rodrigo Portela