| O GABINETE DO DR.CALIGARI, DIR. ROBERT WEINE |
George Meliés, um
ilusionista que estava na primeira projeção dos irmãos Lumiere, se
maravilhou com as possibilidades do cinematógrafo, e ao contrário
deles, viu uma grande possibilidade de uso desta curiosidade. Ele
construiu para si um destes equipamentos e começou a fazer imagens
por conta própria. Um certo dia, em um dos seus primeiros testes, a
câmera travou enquanto Meliés filmava uma rua movimentada, quando
conseguiu resolver o problema ele voltou a rodar, quando revelou o
filme notou que um dos carros havia "sumido” na cena, nascia
ali o primeiro efeito especial. A partir deste momento Meliés passou
a usar o cinema para criar as suas novas ilusões e realizou centenas
de filmes curtos que deixaram o mundo fascinado com o poder do
cinema.
| Alfred Hitchcock |
Um dos grandes
expoentes e defensores da criação imagética no cinema foi Alfred
Hitchcock, Hitch quando jovem logo reconheceu o poder do cinema que
busca contar a sua história por imagens, por movimentos de câmera
elaborados, por quadros milimetricamente pensados e por uma montagem
bem empregada. Foi na Alemanha que o jovem cineasta constatou o
cuidado com o quadro filmado e ficou maravilhado em ver que cenários
de prédios e quadras imponentes inteiras eram criadas em estúdio
para a melhor colocação da câmera e comodidade para as filmagens.
Começando ainda no cinema mudo, Hitchcock soube explorar como poucos
as possibilidades da câmera e atravessou com maestria a mudança do
cinema mudo para o falado. Durante toda a sua carreira ele sempre
sentiu que o cinema poderia ter chegado a maiores alturas se houvesse
uma maior compreensão do uso do som junto a imagem, e
principalmente, do uso do quadro cinematográfico e sua função em
ajudar a contar uma história . Passou a lamentar um segmento na
feitura de filmes, que como dizia, eram “teatro filmado” e sem
nenhuma preocupação estética ou cinematográfica. Este seu
sentimento perdurou até o fim da sua carreira, porque os filmes de
“talking heads” seguem existindo até hoje, mas Hitch sempre fez
a sua parte e inovou a linguagem cinematográfica abraçando cada
nova descoberta tecnológica. Nem dá para imaginar o que ele faria
com os recursos técnicos de hoje, onde cada vez mais o digital está
presente em cada produção, certamente ele estaria ousando com
filmes e cenas de tirar o fôlego do espectador.
Aos poucos iremos
explorar as novas facetas da criação dos filmes, estudar alguns de
seus grandes realizadores e buscar explanar de forma clara e objetiva
os seus filmes e estilos. Espero que este texto seja de proveito de
estudantes de cinema, cinéfilos e entusiastas em geral. Obrigado
pela compania, em breve volto com mais!
Rodrigo Portela